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sexta-feira, 9 de março de 2012

I Encontro dos Ateus e Agnósticos de Sergipe este domingo!

Então, galère! Esse domingo, às 15:00, na Praça Zilda Arns, Bairro Jardins, vai ter o I Encontro de Ateus e Agnósticos de Sergipe, evento realizado pelo grupo AASe (Ateus e Agnósticos de Sergipe). Amigo não-teísta, sinta-se a vontade para comparecer, conhecer seus correligionários (por mais irônico que esse termo seja) e debater conosco. O tema será: "O que é ateísmo?" - sobre a perspectiva científica da biologia e da filosofia. O ateísmo como cosmovisão, condição natural do homem e de todos os víveres ou de associação de valores [como secularismo e humanismo]. Contamos com sua presença!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Apologética Agnóstica #5: Como "rotular" um não-teísta

Depois desse longo jejum da seção, finalmente voltei a escrever nela. Esse post é dedicado a todas as pessoas que me fizeram a seguinte pergunta quando apresentei a minha cosmovisão: "O que é agnosticismo?"

Tradicionalmente, pela parca organização e tendência a independência do pensamento, nós "não-teístas" usamos de rótulos (muitas vezes não-plenamente definidos) para se definirem de maneira simplificada (ainda existem reuniões para unificar o pensamento secularista, como por exemplo a Convenção dos Ateus de Dublin, ocorrida em junho desse ano. Usarei neste artigo as definições aplicadas recentemente no artigo de Shirley Galdino no The Flying Teapot Project, versão em inglês do conhecido blog Bule Voador.

ateu
+ Significado geral é sempre entendido
- Significado preciso é muitas vezes incompreendido (≠ certeza de que deuses não existem)
- Não se comunica se a crença na ausência ou ausência de crença
- Não diz nada sobre a crença no sobrenatural, em geral,
- Não diz nada sobre se a pessoa é religiosa ou espiritual
agnóstico
+ Significado geral é sempre entendido
- Significado preciso é muitas vezes incompreendido (≠ possibilidade de 50/50 que os deuses existem - devido à falta de evidências empíricas)
- Não diz nada sobre a crença no sobrenatural, em geral,
- Não diz nada sobre se a pessoa é religiosa ou espiritual
naturalista
+ Comunica descrença em tudo sobrenatural, sem ênfase em deuses
- Significado geral é muitas vezes incompreendido (≠ de nudismo, ≠ amante da natureza)
- Não se comunica se a crença na ausência ou ausência de crença
- Não diz nada sobre se a pessoa é religiosa ou espiritual
humanista
+ Princípios positivos são mais do que a rejeição do sobrenaturalismo
- Princípios positivos são irremarcáveis na sociedade ocidental moderna
- O significado é muitas vezes incompreendido (≠ adoração à humanidade, ≠ especista)
- Muitas vezes parece ser uma ideologia, em vez de uma simples descrição
- Não diz nada sobre se a pessoa é religiosa ou espiritual
livre-pensador
+ Comunica uma abordagem para reivindicações ao invés de uma crença particular
- Usado quase exclusivamente por ateus, a distinção tão acima está perdida (era mais comum no século XX; por exemplo, na República de Weimar existia a Associação Alemã de Livres-Pensadores, e antes que vocês perguntem, sim, o Hitler mandou fechar, juntamente com os jornais e emissoras de rádio não subjugadas ao governo - por que será?)
- Ou seja, não é geralmente entendida, exigindo explicação
- Não diz nada sobre se a pessoa é religiosa ou espiritual
secular
+ Significado é geralmente entendido
+ Não diz nada sobre a crença ou descrença em qualquer coisa
+ Diz que não é nem uma religião nem espiritual
- Forma substantiva é atualmente um tanto inábil
P.S.: Esse termo é comumente usado pelos teístas para se referir a qualquer tipo de música com o objetivo não-teísta.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Apologética Agnóstica #3: ATEA desiste de pelejar com empresas de ônibus e lança cartazes polêmicos em outdoors de Porto Alegre

Um dos preceitos que para nós, "não-teístas" defendemos com veemência, é a absoluta laicidade do Estado brasileiro. Infelizmente, para nós, vide pesquisas, os ateus (e infelizmente os agnósticos também, pessoas menos informadas sequer sabem diferenciar uma coisa da outra ¬¬) são a classe mais detestada do país. Nas nossas paragens, ao contrário de outros países desenvolvidos, como a Inglaterra, a organização de grupos (como eu poderia dizer) "pró não-teístas" (provavelmente isso é ortograficamente incorreto, mas não consegui achar um termo certo, azar) é inócua. Aqui no Brasil, há mais de dois anos, a partir de uma sentença proferida em rede nacional por um jornalista sensacionalista, preconceituoso e desprovido de ética jornalística (que mudou de emissora, mas continua dizendo abobrinha), a ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, que não necessariamente me representa, fique aqui bem claro) resolveu replicar no Brasil a famosa campanha do ônibus, que atingiu grande sucesso em países como Inglaterra e EUA.


O referido ônibus inglês, com a frase "Provavelmente Deus não existe - Agora pare de se preocupar e apoveite a sua vida"

A campanha consiste em peças publicitárias lançadas em ônibus com o intuito de "reduzir a intransigência com os ateus" (leia-se: Proselitizar o ateísmo, lembrem-se de que quem está por trás da campanha do ônibus da Inglaterra é a British Humanist Association, cujo líder é o "filósofo" e sociobiólogo Richard Dawkins, considerado o "guru" do neo-ateísmo).
Desde 2008, a ATEA, tenta lançar campanha semelhante em algumas capitais brasileiras, mas acabaram sendo vetados pelas associações de transportes. Só agora, na começo do mês de julho, começaram a ser exibidos os primeiros outdoors da campanha em Porto Alegre (que a meu ver, foi um atraso, a ATEA provavelmente achou que teria o mesmo sucesso dos ingleses, cuja religião principal do país está em visível decadência e tem os ativistas ateístas mais famosos do mundo, como o já citado Dawkins e Christopher Hitchens, além de ter contato forte com outros ateus americanos como Sam Harris e Daniel Dennett).


Para piorar, a campanha nacional padece de problema semelhante à campanha da Inglaterra: não há exaltação à laicidade do Estado ou à tolerância entre credos, apenas ataques à religião cristã próprios dos neo-ateístas (tá vendo o que eu falei? Apesar de ter "agnóstico" na sigla eles não me represantam? Tsc, tsc, tsc...). Vejamos os cartazes:


1) Apesar de concordar com a sentença do cartaz "Religião não define caráter", o problema na ilustração é a "polarização forçada de valores". Por um lado, temos Adolf Hitler representando os teístas (uma aplicação clássica da Lei de Godwin) e Charles Chaplin (que era ateu por ser comunista, ao contrário dos ateus "dawkinistas" e a maioria dos ateus comtemporâneos, o fato dele ter sido um cineasta de sucesso em nada torna-o melhor na matéria de moral) como defensor dos ateus. Aliás, se ser ateu é ser "mais bom caráter" porque Stálin (comtemporâneo de Chaplin) é reconhecido hoje como "genocida" e "autor de crimes contra a humanidade", se ideologicamente, ele era ateu que nem o Chaplin?
2) Este segundo trata-se de uma crítica ao fundamentalismo extremista dos teístas, além de tentar minar a ética teísta. Além de partir do pressuposto de que "em nome de Deus e da moral da sua religião é possível cometer atrocidades contra os 'inimigos' " (que na prática, quase todo teísta que você perguntar isso vai negar veementemente), ele faz na ilustração um "apelo à emoção" com a imagem do avião antes de se chocar com a 2ª torre. Afinal, dizer que os fanáticos são os caras da "outra religião herege do outro lado do mundo" é muito fácil, não é mesmo?
3) A velha crítica de que a fé teísta existe para suprimir a razão (o velho argumento de fanáticos evolucionistas, como o Dawkins).... Embora, eu, como agnóstico, considero o fideísmo como insuficiente para demonstrar a verdade, vejo que, em dados momentos da história, homens teístas fizeram avanços importantes para o desnvolvimento do conhecimento científico (não que eu seja favorável ao Criacionismo, bem entendido).
4) Em primeiro lugar, há uma ofensa ao Cristianismo e ao Hinduísmo (Jesus Cristo e Krishna são reduzidos a mitos, juntamente com Hórus, que é "um deus morto"; ambos os cultos são reconhecidos como "mitos regionais", sendo que desde Paulo de Tarso, o cristianismo é internacionalizado; insinua-se a teoria mostrada no filme Zeigeist que Jesus Cristo seja um mito de uma divindade internacional, cuja história foi construída a partir de outras deidades veneradas na Eurásia). Em segundo lugar, a frase do cartaz é uma comum falácia ateísta usada para "jogar as religiões umas com as outras". Se a diferença do ateu pro teísta é que "o ateu não acredita em um deus a menos", isso ainda assim não justifica a tolerância entre teístas e ateus, ainda mais depois de tamanha desconsideração à religião alheia proporcionada pela ilustração do cartaz.